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03/10/2006

Memórias

Eu já disse isso a muitos colegas repórteres de emissoras de rádio e de jornais em cada cidade que visitei, neste projeto da Caravana. Imagino que Fátima tenha feito o mesmo em Ouro Preto, Minas Gerais. A pergunta deles era mais ou menos assim: "O que você achou da recepção que teve aqui em São Miguel, em Santo Ângelo, em Petrolina, em Juazeiro, em Juazeiro do Norte, em Belém, em Cidade de Goiás?

As respostas devem ter sido muito parecidas. Mas aqui no blog, neste encerramento de trabalhos, serei um pouco mais... palavroso. Só lê quem quer...

O Jornal Nacional é um patrimônio brasileiro. Tem 37 anos. Quando o JN estreou, eu tinha 6 anos incompletos. Lembro-me de uma conversa entre meus pais, à mesa do jantar, sobre o jornal novo. Eles conversavam sobre algo que aconteceria naquela noite - e que eu não compreendia bem. Provavelmente sobre o fato de que seria algo visto simultaneamente por todos os brasileiros que quisessem - e que tivessem uma TV em casa, e que morassem em lugares que tivessem uma "repetidora", como se dizia então. Sei lá se o papo era esse mesmo, tão detalhado, meio técnico. Mas lembro que falavam da estréia do tal jornal novo. E eu, muito mais ingênuo do que meus filhos viriam a ser na mesma idade, me perguntava, em silêncio: para que mostrar um jornal na televisão? E ficava imaginando o tédio que seria contemplar as páginas filmadas do calhamaço que meu pai trazia da rua todos os dias...



Mas isso foi na noite de primeiro de setembro de 1969. Não lembro uma palavra do que teria dito o Hilton Gomes. Só sei que devo ter ido dormir depois da novidade. E quando abri os olhos de novo, o Cid Moreira estava à minha direita. E de perfil. Era 1988 - e eu tinha sido escalado para substituir o Sérgio Chapelin num feriado, ou sábado, não lembro. Lembro que era a primeira vez na vida que eu via o Cid Moreira de perfil. Este foi um momento mágico em minha vida profissional. Em minha vida - se considerarmos que metade de meus quase 43 anos foram absorvidos pelo jornalismo.

Quase 8 anos depois, no primeiro de abril de 1996, sentei-me atrás da bancada do JN como titular pela primeira vez. Primeiro de abril!

E de novo em primeiro de abril, em 2006, ao completar exatamente 10 anos na apresentação do Jornal Nacional, tive a oportunidade de entrevistar o astronauta brasileiro Marcos Pontes. Ele, na Estação Espacial Internacional. Eu, aqui embaixo, ouvindo estrelas. Quase perdi o senso. Mágica, de novo.



E o que é que isso tudo tem a ver com a pergunta direta de meus colegas gaúchos, mineiros, pernambucanos, baianos, cearenses, paraenses e goianos? "O que você achou da recepção que teve aqui?"

A resposta foi mais ou menos esta:

Todos nós que temos a honra e o privilégio de trabalhar neste patrimônio brasileiro chamado Jornal Nacional sabemos da audiência que ele tem. Sabemos da importância que ele tem - e da responsabilidade que ela impõe. Sabemos que ninguém vê o JN por obrigação. E que, portanto, essa multidão de milhões gosta do JN - e pronto. Mas ao visitarmos o Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, a Bahia, o Pará e Goiás, vimos o tamanho desse "gostar". Sentimos o calor desse carinho nacional pelo JN. Ficamos completamente atordoados. Impressionados. E eternamente agradecidos.

O que é eu acho da recepção que tivemos?

Eu acho que esses momentos vão se misturar àquele jantar com meus pais num primeiro de setembro. E vão se fundir aos dois primeiros de abril. Ao Marcos Pontes lá em cima. E ao Cid Moreira de perfil.

William Bonner


Veja aqui a íntegra do Chat com William Bonner sobre a Caravana JN, realizada nesta quarta-feira, dia 04/09
clique aqui

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29/09/2006

O mapa da Caravana


O Ônibus da Caravana JN estacionou hoje na capital federal, em Brasília.
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28/09/2006

O mapa da Caravana


Caravana JN ultrapassa os 16 mil quilômetros país adentro.

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28/09/2006

Quatro momentos em Goiás


O aceno dos moradores de Goiás assim que William Bonner pronuncia o nome da cidade durante a ancoragem na última segunda-feira.


A dupla de caravana Pedro Bial e Luiz Claudio Azevedo trabalha unida também no JN ao vivo, da Praça do Chafariz. Dessa vez, Azevedinho (no alto) filma da grua.


A morena da foto é a Renata Rodrigues, produtora que está sempre de olho na gente, nos bastidores da caravana. Ela não viaja no ônibus, mas desata vários nós do Rio de Janeiro e durante as ancoragens, quando a gente se encontra. Ao lado, a editora Gisele Machado mostra que não é fraca, não ;): Com a câmera no ombro, dá uma de cinegrafista.


Em uma fazenda do Centro-Oeste, a cena curiosa: assim que Bonner começou a gravar, os bois pararam pra assistir.

Gisela Pereira - da Caravana JN
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27/09/2006

Meninos versáteis





Para andar por essas estradas loucas, é preciso ser muito versátil. Na primeira foto, tirada em São Miguel do Araguaia (GO), o repórter cinematográfico Hélio Alvarez já avisa: "fazemos quase tudo". Quaaaaaaaaaaase - importante ressaltar. Na segunda foto, tirada em Barra do Garças (MT), Luiz Cláudio Azevedo se arrisca para levar a Caravana ao espaço!

Ana Paula Brasil - produtora

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27/09/2006


O mapa da Caravana



A Caravana JN percorreu hoje mais 130 quilômetros pelo interior de Goiás.
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27/09/2006

Aula de geografia


O desenho é de Paulo Henrique Sousa, 11 anos, de Ouro Preto

Muitas crianças nos param para dizer que estão fazendo trabalhos na escola sobre a Caravana JN. “A professora de geografia está ensinado as regiões com as matérias da Caravana”, contam animados. E nós ficamos impossíveis de tanto contentamento. Vivam os professores de geografia! Em geral eles são os primeiros a nos contar que o mundo vai muito além do quintal da sua casa.

Eu não ligava muito pra geografia e um dia levei uma bronca do meu amigo Eliézer, leitor deste blog. “Ana, como você tira uma nota dessas em geografia? Não é possível você não querer saber do Brasil e do mundo... você vai querer viajar, se localizar no mapa, entender as diferenças de um lugar para o outro... você vai precisar disso”.

Isso foi na sexta série do antigo primeiro grau, no corredor do segundo andar do Colégio Batista Brasileiro, na Tijuca, Rio de Janeiro. Está tão distante e tão presente na minha vida. Eliézer, um beijo pra você.

Ana Paula Brasil - produtora
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26/09/2006

O mapa da Caravana


A Caravana JN ultrapassou os 15,5 mil quilômetros Brasil adentro.
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25/09/2006

O mapa da Caravana


Em sua última semana, a caravana chega a Goiás, coração geográfico do Brasil.
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24/09/2006

O mapa da Caravana


A Caravana JN ultrapassa os 15 mil quilômetros Brasil adentro.
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24/09/2006

Pela estrada afora


Visual de viagem na região Centro-Oeste, que pegou a gente de jeito...


Nosso Priscilão (não sei se a gente já explicou, mas é o apelido do ônibus...Lembram aquele filme "Priscilla, a Rainha do Deserto"?) e o sol.
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23/09/2006

“Sertezas”

Quando fico satisfeito com o serviço de um restaurante, volta e meia repito o mesmo comentário (estou ficando mais velho): -“Se não os melhores, os garçons brasileiros são os mais bem preparados do mundo!”, e peço o aperitivo. Segue-se a conclusão: “- Graças ao Senac...” Seja meu interlocutor rico, pobre, remediado, as réplicas são invariavelmente as mesmas: “É verdade! Uma maravilha de trabalho! Lá, ensinam ofícios, educa-se de verdade, formam-se profissionais – a partir dali, nascem famílias.”

Advinhe onde estudou o cabeleireiro que cortou, bem, meu cabelo, em Santa Inês, sertão maranhense?

Senacs, Senais, Sesis, Sebraes... Só tenho coisa boa para contar, ação concreta, objetividade, fazendo mais que falando. Atuação política sem praticar política convencional, tocando a administração de tirar água do barco, não deixar afundar. “Sonho, não”, me disse o consultor empresarial Sidney Ferreira, ligado ao Sebrae, “certeza na construção do Brasil”. Que coragem... Temeridade? Os ‘se’ não querem saber.

Ais, aes, acs. is: Brasil, onde além da morte e dos impostos, as outras certezas começam com ‘se’.


Pedro Bial
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23/09/2006

Dormi na cela de Jânio...

... ou quase. Não fiquei no apartamento 606.

Hotel Santa Mônica, rua Antônio Maria Coelho, 345, Corumbá, Mato Grosso do Sul. Em 30 de julho de 1968, era Mato Grosso, e o hóspede deu entrada para não sair tão cedo, a rigor nem até a calçada – se bem que não foi bem assim... Em vez de ir para a prisão, por ter desrespeitado a proibição de fazer pronunciamentos políticos, tinha sido punido, pelo Ministério da Justiça, a confinamento de 120 dias, num hotel de seu estado natal. No registro de entrada: Jânio Quadros, 51 anos, advogado, nada de título de ‘ex-presidente da República’. No item residência, pespegou: Corumbá. Seu domicílio era ‘ali e então’, como o de todo exilado, ainda que em sua própria terra..

120 dias confinado, à espera do julgamento de seu pedido de habeas-corpus ao Supremo Tribunal Federal.

Confinamento com direito a caminhadas até a Churrascaria Rodeio, e outras escapadelas.

Não calou a boca nem naqueles corumbás, distribuiu uma declaração escrita à imprensa local.

“Antes tinha estado na cidade havia oito anos, em campanha”. Sem pejo, em bom ‘janioquadrês’, prosseguia: “Lembro que prometi uma refinaria de petróleo, escolas e hospitais. Não quis o destino que cumprisse aquelas promessas (...) Muito mais do que isso – dou-me inteiro, agora, a ti, minha Corumbá!”.

Quis o destino.

Pedro Bial


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22/09/2006

Uma equipe criativa



Para transmitir as reportagens, nossos técnicos tentam acomodar a antena de geração da melhor forma. Isso depende de espaço, segurança, proximidade do nosso ônibus e, sempre que possível, de uma fonte de rede elétrica. Mas também temos a opção de usar um gerador. Mas nossa versátil "Fly Away", graças a nossos técnicos criativos, onde chega fica à vontade. Já foi montada em beira de estrada, em quadra de vôlei, campo de futebol, estacionamentos diversos, praça pública, garagem de supermercado, ao lado de um galinheiro, na porta do cemitério, ao lado da piscina e (vejam só!) no botequim em frente ao nosso hotel em Cuiabá.

Na foto: Elmir Lanzillotti (motorista), Neno (mecânico), Herth Rodrigues e José Carlos Suarez (técnicos).

Ana Paula Brasil - produtora
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22/09/2006

O mapa da Caravana


Caravana chega a Mato Grosso do Sul depois de quase 14,4 mil quilômetros percorridos.
postado por: Caravana JN

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